A palafita não é apenas uma habitação. É um gênero de vida, síntese da relação homem-natureza na Amazônia. As palafitas estão ligadas ao processo de ocupação da Amazônia. Foi a forma com que o caboclo encontrou para se adaptar ao ciclo das águas, com 6 meses de seca e 6 meses de cheias dos rios.

A série Habitar/Habitat do SESCTV navega pelos rios e igarapés de Manaus e região. Entrevista famílias ribeirinhas, artistas populares, arquitetos e pesquisadores para contarem como se constrói e como se vive em harmonia numa palafita ribeirinha, e a amargura das palafitas urbanas. O escritor amazonense Milton Hatoum também dá um depoimento e recita trechos de seu conto – A Casa Ilhada.

Palafitas são construções em madeira, suspensas por estacas. Na seca, as terras são usadas para a agricultura. Nas cheias, as águas chegam à porta das casas ou podem invadi-las, forçando os moradores a usar a maromba, um piso elevado que permite continuar morando no local, mesmo com a água dentro.

Outra solução possível de ocupação das várzeas amazônicas, as casas flutuantes não estão presas em estacas. Podem se descolar conforme o nível do rio sobe ou desce, ancorando em uma nova localidade segura. São construções que se aproveitam de materiais locais, como madeira e palha.

A vida do morador da palafita, isolado nas margens dos rios, ou em pequenas comunidades ribeirinhas, são um exemplo de integração com o seu meio ambiente. Já a palafita estabelecida no centro urbano de Manaus revela uma série de contradições.

Fora de seu contexto, a palafita adquire ares de favela. Aglomerada aos milhares, com os problemas da falta de saneamento básico e sem o vínculo com a dinâmica da floresta e dos rios, perde sua identidade cultural e o sentido de ser.

Neste episódio: Família da Silva, Milton Hatoum (escritor), Família Salgado, Antônio de Almeida (agricultor), Almir de Oliveira (arquiteto), José Aldemir de Oliveira (geógrafo), Mirna Feitoza (doutora em comunicação e semiótica), Gonzalo Melgar (arquiteto), Olga D’arc Pimentel (socióloga), Luiz Henrique P. Salgado (artista plástico), Francisco Ferreira da Silva (agricultor), Inacio Maciel (artista plástico).