A série Habitar/Habitat do SESCTV desce a Serra do Mar, uma das últimas reservas de Mata Atlântica no Brasil, para conhecer a cultura caiçara. O território caiçara estende-se do litoral de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, até Paranaguá, no Paraná. Sua origem está relacionada à decadência de atividades agrárias de exportação do século XIX, como o café ao norte e o arroz ao sul, levando a uma regressão para atividades de subsistência.

Inicialmente ligados ao roçado, o caiçara foi o caipira do litoral que acabou criando vínculos com o mar e com a pesca. A vida caiçara está ligada à natureza e sua casa é geralmente um abrigo aberto, com a cozinha para o lado de fora. O material de construção pode ser o pau a pique ou a madeira.

As casas, muitas vezes, estão conectadas ao mar, e a canoa é uma extensão da moradia. A ocupação é esparsa, e formam-se pequenos núcleos familiares, onde as propriedades compartilham seus quintais, sem a construção de cercas. O mutirão para plantar é um exemplo desta união familiar. O fandango, animado pelo som da rabeca de caixeta, é a dança que anima suas festas.

O modo de vida caiçara entrou em crise com legislação ambiental e a criação de parques, que impossibilitou a prática da agricultura. Foram leis proibitivas que se esqueceram de preservar as populações tradicionais que já habitavam as áreas protegidas. Sem poder retirar madeira, o caiçara não pôde fazer a canoa, símbolo máximo de sua cultura.

Outro golpe no modo de vida caiçara é a especulação imobiliária. Com a perda crescente de suas terras, suas propriedades são substituídas por condomínios e casas de veraneio. O caiçara passa a trabalhar na construção civil ou na prestação de serviços para os turistas. Dependentes de ecossistemas cada vez mais ameaçados, estrangulados pelos grandes centros urbanos, o caiçara tenta sobreviver aos tempos modernos.

Neste episódio: Julinho Mendes (professor), Feliciano da Cunha (pescador), Jorge Antonio Cardoso (estudante), Erineu Pires (pescador), Delmiro Luiz Muniz, Antonio Carlos Diegues (antropólogo), Wanda Maldonado (socióloga), Jorge Antonio Cardoso (pescador), Luiz Cordeiro (pescador), Maria Cordeiro (dona de casa), Paulo da Silva Noffs (geógrafo), Dalmo Vieira Filho (arquiteto), Amyr Klink (navegador), Digimo S. Ribeiro (pescador), Orlando Azevedo (fotógrafo), João Pires (pescador), Leonildo Fidelis Pereira (lavrador), Jonas Marcolino da Silva (pescador), Erci Antonia Malaquias (dona de casa), Santiro M. Pires (pescador), Romeu Mario Rodrigues (aposentado).