Os apartamentos tiveram um primeiro impulso no mercado habitacional brasileiro entre 1920 e 1950, a partir da disposição de agentes do mercado de acabar com os cortiços que se multiplicavam pelos bairros das grandes cidades na virada do século XIX para o XX.

Paralelamente, em alguns pontos das metrópoles, surgiam os primeiros apartamentos destinados a setores de maior renda. Mas o preconceito pela associação entre as moradias verticais e os segmentos de baixa renda manteve-se por longo tempo.

Atualmente, o total de apartamentos corresponde a um quarto do conjunto das moradias, percentual que aumenta muito no chamado centro expandido.

O sucesso da fórmula vertical como modelo de habitação esconde várias mazelas, como atestam os especialistas. “Configurado como um produto imobiliário, o apartamento passa a estar sujeito aos modismos e a efemeridade dos produtos de consumo, de tal forma que nota-se o foco não nas reais necessidades dos usuários, mas nas propagadas vantagens subjetivas, que com a força do marketing buscam transformar desejos em necessidade”, assinala Simone Barbosa Villa, na tese de doutorado “Morar em apartamentos – a produção dos espaços privados e semiprivados nos edifícios ofertados pelo mercado imobiliário no século XXI em São Paulo e seus impactos na cidade de Ribeirão Preto.

Há apartamentos de todos os tipos, para todos os gostos e todos os bolsos.  Arquitetos, urbanistas e geógrafos divergem sobre a eficácia desse tipo de habitação: enquanto uns sonham com uma cidade mais adensada, que libere o solo graças a edifícios de uso misto, outros temem que o mercado continue ditando as regras do jogo.