O Nordeste foi a primeira região brasileira ocupada pela colonização portuguesa. Antigas tradições ibéricas, mouriscas, enraizaram-se na cultura local. Entre elas a prática da construção com o barro cru, com o qual o sertanejo ergue a sua morada.

A taipa é uma técnica milenar, desenvolvida por antigas civilizações e foi introduzida no Brasil pelos portugueses. Consiste no preenchimento de um trançado de madeira por barro molhado e amassado com fibra vegetal. Pode ser taipa de pilão, quando usa o auxílio de formas e pilões; ou taipa de mão, quando amassada com as próprias mãos, o pau a pique.

É na transição para o semiárido, na caatinga de Sergipe, em Canindé do São Francisco, que a série Habitar/Habitat do SESCTV foi conhecer o trabalho coletivo de construção das casas, onde o amassar do barro é embalado pelos cantos de trabalho, e o preenchimento das paredes uma tarefa que exige muitas mãos.

Hoje essas casas incorporaram um novo elemento, a cisterna. Os telhados possuem calhas que direcionam a água da chuva para reservatórios. Antena parabólica e internet também são realidades, onde jegues deram lugar às motos.

O interior das casas revelam uma religiosidade popular intensa, uma fé visceral, além daquela aprovada pelas igrejas. Imbuído deste realismo mágico, o sertanejo supera as dificuldades do meio e a opressão socioeconômica dos políticos, padres e coronéis.

Uma família tradicional de Canindé abre portas e janelas de sua casa, para revelar a tradição da dança do coco, preservada nos encontros que reúnem os parentes de toda a região.

Neste episódio: Tereza Pereira, José Bueno Conti (geógrafo), Evandro Gomes, Analia Amorim (arquiteta) Raimundo Cavalcante (geógrafo), Luiz Eduardo Costa (jornalista), Marciano Gomes, Maria e Thayre Santos, Maria Augusta Pisani (arquiteta) Dalmo Vieira Filho (arquiteto), Antônio Bispo, Lira Neto (jornalista), João dos Santos, José Leobino (vaqueiro), Manoel da Silva, Val Feitosa Santos (cantora e educadora popular), Guiomar Vito da Silva.