A necessidade de moradia universitária surge quase que simultânea à criação dos cursos. No entorno das universidades forma-se um ambiente estudantil, com alunos vindos de diversas partes e que se unem para dividir o mesmo teto. Para compreender esta dinâmica, a série Habitat/Habitar vai até Ouro Preto, em Minas Gerais, onde está o exemplo mais tradicional de Repúblicas Estudantis no Brasil.

Já no Império, Ouro Preto contava com o curso de Farmácia (1839) e a Escola de Minas (1876), atraindo estudantes desde então. A transferência da capital mineira para Belo Horizonte, no final do século XIX, causa um esvaziamento da cidade nas décadas seguintes. Os antigos casarões são gradualmente abandonados e caem em decadência.

No final da década de 1960, é criada a Universidade Federal de Ouro Preto, aglutinando as duas escolas tradicionais e ampliando a oferta de cursos. Os estudantes passam a ocupar essas construções vazias, o que resulta em um sistema de Repúblicas Universitárias.

As casas são identificadas por tabuletas penduradas à porta. Seguindo antigas tradições medievais, os estudantes ganham codinomes e passam a integrar uma espécie de irmandade. Predomina o princípio de senioridade, onde os moradores mais antigos têm certos privilégios frente aos novatos.

Dentro das Repúblicas reina um ambiente de autogestão, onde os próprios moradores aprendem a dividir tarefas e responsabilidades. Para muitos é a primeira experiência fora da casa dos pais, e a República assume um papel de família. Os vínculos de amizade criados podem durar por toda a vida.

Os estudantes também são os responsáveis pela manutenção dos imóveis, o que no caso de Ouro Preto tem um significado muito maior. A cidade é patrimônio histórico reconhecido pela UNESCO, o que faz das Repúblicas um importante instrumento na preservação do antigo casario.

Neste episódio: Antenor Rodrigues Barbosa (ex-reitor da UFOP), Otávio Luiz Machado (escritor), Antônio Zuin (professor). República Paidabartira: André Nogueira – Fluffer, Vinicius Sartori – Vinaum, Khevin Mituti – Ufa, Felipe Bonfim – Squirtle, Maria Lucia Andrade (cumadre). República Tabu: Renato Honório – Labrego, Rafael Nardin – Baguari, Gustavo Costa – Belzek, Igor Aleixo – Sikié, Flávio Vieira – Vidigal, Carlos Fonseca – Bruega. República Nau Sem Rumo: Paschoal Schettini, Victor Schittini – Baruel, Bruno Germiniani – Mormassu, Berenice Oliveira – Berê (cumadre) Eustaqui de Souza – Zé Firido. República Sinagoga: Rodrigo Gomes – Malaco, Igor Alvez – Quase Nada, Lucas Machado – Geriatra, Ricardo Eustáquio Fonseca, Augusto Junqueira – Impata, Thiago de Araujo – Piguimeu. República Patotinha: Gracy Laport, Géssica Couto Schaun, Giovana Bressani, Priscila Campiore, Alice Cantele.