O café conquistou o Vale do Paraíba e semeou fortunas, que resultaram na multiplicação de sedes de fazendas produtivas que aliavam funcionalidades de trabalho com níveis variados de luxo e conforto. Em aproximadamente um século, o café levou o Vale a passar por três ciclos: nascimento / crescimento, de 1800 a 1840; apogeu, de 1840 a 1875 e declínio / derrocada, até 1929.

Além da casa-sede, moradia da família do proprietário, as principais edificações  de uma fazenda cafeeira eram o lavador, o terreiro, o engenho, as tulhas e a senzala.

De acordo com o historiador e genealogista Roberto Guião de Souza Lima, ”os programas arquitetônicos que caracterizavam as plantas das casas-sede (…)eram marcados pela preocupação de separar as dependências em blocos distintos, refletindo, na organização de seus ambientes, as regras e normas sociais vigentes. Em um bloco eram contemplados os espaços necessários à convivência social da família, especialmente visando “proteger” a intimidade das mulheres da casa, onde se localizavam os quartos de dormir, as salas de refeição, jantar e almoço, e as dependências de serviços, como a cozinha. No outro bloco ficavam as dependências de recepção dos hóspedes e dos visitantes que vinham tratar de negócios, com suas salas e alcovas separadas da área familiar por ambientes cujas portas eram mantidas sempre fechadas. Com o passar do tempo e as mudanças na dinâmica social ocorrida nas últimas décadas do XIX, o isolamento dos membros da família — em especial das mulheres — foi-se atenuando e as soluções internas foram eliminando as dependências que possuíam a função básica de “separar” os blocos, dando mais leveza e funcionalidade às plantas das casas rurais.”

Em publicações da época, Guião chegou a contabilizar cinco mil fazendas de café no Vale do Paraíba. Destas, duas centenas sobreviveram até os dias de hoje – poucas ainda produzindo café.

Algumas encontraram outro caminho para sua existência, no turismo cultural ou como símbolos de poder e status de novos ricos. Conhecê-las é fazer uma viagem ao passado.

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